O resultado do trabalho não é apenas para si, mas é para repartir.

Esses dias participei de uma conferência na minha comunidade de fé. É uma conferência que acontece há 22 anos ininterruptamente. Como participante da comunidade de fé local chamada Igreja Batista Angelim (carinhosamente chamada de IBA), já pude participar dessa conferência, chamada Adoração Profética, de três maneiras diferentes: como ouvinte, já tive a oportunidade de participar três vezes; como músico – estando “de frente”, no palco – já tive a oportunidade de participar quatro vezes; e trabalhando na equipe de mídia, estando “nos bastidores”, trabalhando “escondido”, uma vez.

E nessa última experiência, a de trabalhar no escondido, sem estar à mostra, é que uma coisa veio ao meu coração. Algo sobre serviço, sobre ter talentos e disponibilizá-los àqueles que possam estar precisando deles.

Recebi do arquiteto do universo alguns talentos. E com os talentos vem a seguinte pergunta: o que fazer com eles? Por isso lembrei de um texto do Paulo apóstolo lá no livro de Efésios 4:28, que diz assim: “aquele que roubava, não roube mais; pelo contrário, trabalhe, fazendo com as mãos o que é bom, para que tenha o que repartir com quem está atravessando um período de necessidade”.

Ora, temos aqui dois paradigmas. O primeiro diz daquele que roubava. Este é aquele que antes do Cristo, não possuía entendimento acerca do serviço, do trabalho, da vocação, do ministério em Cristo Jesus; e que antes a sua atitude era comparada àquele que roubava algo. Talvez, até literalmente. Mas, metaforicamente, o que rouba, subtrai. Subtrai do outro e adiciona a si.

A lógica desse paradigma é essa: “trabalhar” para subtrair do outro e adicionar para si. E o “trabalho” do roubo, do furto não é apenas material, mas também espiritual, emocional, volitivo, ministerial. “Quanto mais para si, melhor”, pensa aquele que vive sob esse paradigma. Porém, aquele que rouba não constrói nada, apenas usurpa o que o outro construiu.

O segundo paradigma diz daquele que trabalha. Se antes roubava; agora, trabalha. Após o encontro com Cristo aquele que era usurpador agora torna-se construtor. O trabalho agora não é usurpar nem roubar, mas construir com as próprias mãos aquilo que é bom. Entretanto essa construção, esse trabalho não é apenas para si, se não qual seria a diferença entre aquele que rouba e aquele que trabalha se ambos teriam a finalidade de adicionar para si?

Por isso o segundo paradigma vem com um upgrade: aquele que trabalha, trabalha para que tenha o que repartir com quem passa por um período de necessidade. É no compartilhamento que se faz a visão de homem que Cristo nos deixou.

É no serviço, no doar-se, no aprimorar do dom, do chamado, do ministério, do talento, da aptidão que Deus deu é que existe a possibilidade para que se tenha algo a repartir com aquele que carece em algum momento de alguma coisa. E todas as pessoas carecem em algum momento de alguma coisa, por isso trabalhe para que você tenha a possibilidade de suprir aquele que precisa e esteja aberto para ser suprido por aquele que está disponível para repartir do trabalho dele.

 

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