Esqueça as coisas que para trás ficam

Por que você se preocupa com o presente em função daquilo que aconteceu no passado? Parece ser esse o mecanismo de funcionamento de muitas pessoas.

Muita gente tem se preocupado no presente por conta daquilo que aconteceu no seu passado. O que aconteceu no passado não pode ser mudado no presente. Mas, infelizmente, tem guiado o presente de muitos.

Basear o presente no passado limita as possibilidades de vivência no único tempo em que se pode vivenciá-las: no presente! Deixar o passado funcionando como guia significa rigidez de comportamentos, limitação de potencial e redução de criatividade.

A rigidez de comportamentos, uma maneira engessada de ser é sempre pautada naquilo que aconteceu no passado. O “reprimido” (aqui significando aquele que não consegue expressar-se muito bem, ou de maneira expansiva) o é no presente, pois algo aconteceu (ou deixou de acontecer) no passado para que assim ele aja da maneira que age.

É errado uma pessoa ser reprimida? Não. Claro que não. Até o ponto em que todo esse “reprime” não traga prejuízo, nem traga fugas de situações em que façam parte do cotidiano dessa pessoa. Um exemplo clássico é uma pessoa que não consegue demonstrar afeto a uma outra pessoa querida e por conta disso a relação ser prejudicada e até encerrada.

A questão talvez possa ser: por que essa rigidez de comportamento? Por que na infância não recebeu afeto do pai e/ou mãe? Por que alguma vez foi expressar afeto e foi criticado por isso?

A situação no passado está lá, mas não necessariamente precisa estar aqui, no presente. Como uma maneira de evitar uma possível situação aversiva o cérebro pega uma situação específica e generaliza-a, tornando-a um mecanismo de defesa.

Essa defesa, sempre baseada em experiências anteriores, guiada pelo passado e influenciando o presente, traz prejuízo e rigidez para o modo de ser da pessoa no presente.

Agora, imagina o quanto você poderia avançar se não tivesse o seu potencial limitado pelo acontecido? O quanto de criatividade foi reduzida no presente em favor do passado?

Preocupar-se com o passado é ter uma ocupação prévia no presente com aquilo que já não pode mais ser transformado. E isso consome uma quantidade enorme de energia com aquilo que já não é mais passível de mudança.

E se já não pode mais ser mudado, por que as pessoas têm ficado presas à isso? Por que as pessoas ficam pressas “no que poderia” em vez de serem libertas no “eu posso”?

Essa é uma grande questão e complexa questão. Toda sensação de inautencidade, de vazio que uma pessoa sente no presente se dá por conta dessa questão.

Paulo, o apóstolo, nos deixou um grande ensinamento sobre isso, ele diz: “Tomo a seguinte atitude: esquecendo-me das coisas que para trás ficam e avançando para as que estão adiante de mim, apresso-me em direção ao alvo.”

Mostrarei a você não uma interpretação de cunho teológico, mas uma interpretação de cunho existencial (o existencial não exclui o teológico se você for alguém que acredita em Deus):

A primeira coisa que Paulo faz é: tomar uma atitude. Paulo age, é no seu posicionamento que ele decide ir vivendo. A segunda coisa que ele faz é: esquecer das coisas que para trás ficam.

Paulo, se você for estudar, foi aquela pessoa que viveu na “sofrência”. Viveu várias dificuldades, vários traumas, tanto psicológicos assim como também físicos. Ele passou fome, ficou cego por um período, foi picado por uma cobra, foi preso injustamente, sofreu um naufrágio, dentre outras coisinhas básicas como essas… Então Paulo, foi um sofredor literalmente. Imagina a sua história sendo invadida por essas contingências.

Então Paulo, podemos dizer que foi uma pessoa resiliente. Ele não baseava o seu tempo presente naquilo que passara, naquilo que não havia a possibilidade de mudança. Ele tomava uma atitude de esquecer-se.

Esquecer significa deixar de preocupar-se com aquilo que já não é mais possível de ser mudado. O acontecido não serviu para aprisionar Paulo. Ele limitou seu potencial por preocupação com o passado.

Parece até de certa maneira estranho falar isso, mas essa é a mais pura realidade de muitas pessoas: preocupação no presente, com o futuro em função daquilo que aconteceu no passado.

O esvaziamento do presente amedronta o futuro por conta de um medo passado. É o medo passado, que ainda é presente e que gera medo futuro.

A terceira coisa que Paulo faz é: avançar para as coisas que estão adiante dele. Ele direciona a sua atitude para aquilo que está à sua frente e não para aquilo que ficou para trás. Para a vivência que está carecendo de sua atenção no momento presente.

Fazendo isso, ele vai em direção ao alvo.  Assim deveria ser toda pessoa, caminhar em direção ao alvo, deixando as coisas que para trás ficam e que limitam a experiência presente. Por isso seja como Paulo e esteja aberto ao futuro, vivendo o presente sem o passado que paralisa.

Facebook Comments