Conversar com o amigo ou com o psicólogo é a mesma coisa

A fala é o principal instrumento de trabalho do psicólogo. Assim como também é um instrumento utilizado pela maioria da população mundial, salvo as pessoas com alguma deficiência. Por isso muitas pessoas acham que a psicoterapia é apenas uma conversa que pode gerar um aconselhamento para determinado assunto, ou até mesmo uma conversa sem pretensões em si.

Esse tipo de pensamento é um mero engano. Pois, a partir da fala, da linguagem (que no setting terapêutico poderá ser via escrita, falada e/ou corporal), pode-se dizer muito daquela pessoa que vai até o psicólogo.

A fala tem instrumentalidades incríveis e por meio de que o psicólogo descobre o modo de ser da pessoa, o modo como ela entende, percebe, absorve, reage e interage com o mundo ao seu redor.

Com um psicólogo, o diálogo, é mais que uma conversa. É um instrumento direcionável, que possibilita o descobrimento do ser, dos seus medos, anseios e sofrimentos. E, a partir daí, a possibilidade do caminho em direção a cura.

A fala é catártica, é aliviante, por si só. Por isso, quando falamos com algum amigo sobre um problema sentimos um alívio. “O problema” é que esse alívio é muitas vezes sintomático no sentido de ser um efeito do alívio de tensão gerado pela própria fala. Porém esse alívio poderá ser passageiro, pois em uma conversa com um amigo não há o direcionamento pela busca do anseio em si.

Por isso, por “melhor” que seja o amigo, ele não terá as ferramentas necessárias para, junto com você, desvelar o que está velado.

O amigo tem as dicas do senso comum, assim como, por exemplo, se você fosse ao médico e este “receitasse” para a sua enxaqueca ficar no escuro e em silêncio. Essa receita pode até trazer um alívio passageiro, mas não tratará da causa real do problema e você provavelmente ficaria chateado com o médico pois receitou tal absurdo.

Desta maneira, repita comigo este mantra:

“Quem cala, mal sente. Falar, alivia. Mas curar, psicoterapia.”

Facebook Comments