Fuja do BBB

Esse reality show ,  citado no título, começou quando eu ainda era uma criança. Nossa! Parece que o tempo tem passado para mim que estou envelhecendo, mas não para o Big Brother Brasil que parece continuar jovem e à flor da idade.

Quando iniciara a primeira temporada do BBB, fora um alvoroço, um misto de novidade, curiosidade, desconfiança. Uma ambivalência de sentimentos... “Como assim, vamos poder vigiar a vida de pessoas?”. E com esse marketing do “eu posso vigiar a vida das pessoas” esse “show da realidade” deu muito certo! A curiosidade falou mais alto e a maioria das pessoas escolheu vigiar os seus “semelhantes” confinados ali naquela casa.

Com o passar do tempo cada edição do programa faturava mais, ficava melhor e sempre funcionava, seja despertando curiosidades, seja levantando polêmicas, despertando empatias, atiçando ódios e qualquer outro tipo de sentimento que envolva uma relação entre pessoas ainda que essa relação fosse através de uma tela.

O BBB foi profético! E digo isso, pois esse profético diz da transformação de um gênero de programa de televisão para um estilo de vida contemporâneo. Ora, começamos com o Big Brother e estamos indo com as redes sociais.

Agora, mais do que vigiar as pessoas em horários específicos, recebo notificações a qualquer hora e minha vigia tornou-se quase que constante. Passei de uma intensidade esporádica para uma mais constante.

Vigio de maneira “pocket”. Não preciso estar em casa ou em algum lugar que possua uma TV e em um horário específico para vigiar uma pessoa, basta tirar o meu smartphone do bolso, clicar no ícone da lupa (pesquisar) e escolher o felizardo (ou não) que será “marocado” (utilizando o português do Maranhão) ou “stalkeado” (utilizando o português da internet).

Depois destas coisas escritas, quando criticar os espectadores do BBB, vou repensar se não estou caindo na armadilha que tanto fujo. Talvez consiga fugir do BBB, mas ainda não tenho conseguido fugir do “pesquisar”.