Relacionamento Abusivo

Identificar um relacionamento abusivo nem sempre é fácil. A violência psicológica muitas vezes é confundida com excesso de cuidado e ciúmes, o que pode dificultar o reconhecimento da situação de abuso.

1. O QUE É?

Inicialmente marcado por cuidados e galanteios, o relacionamento torna-se uma relação cheia de proibições, julgamentos e limites estabelecidos pelo abusador. A pessoa abusada perde espaço de socialização, já que o abusador não permite que ela interaja com amigos, familiares e outras pessoas como antes. O abusador faz várias críticas à pessoa abusada quanto ao modo de se vestir e este, precisa estar de acordo com o gosto dele e a pessoa abusada passa a ser duramente criticada pelo abusador.

Julgamentos morais também são presentes, o abusador pode criticar a maneira como a outra pessoa age em determinadas situações, se existe aproximações, manifestações de carinho (abraços, sorrisos, etc.) quando há interação com outras pessoas. Dúvidas sobre o caráter também podem existir nesse tipo de relação. Sempre o abusador colocará em xeque questões morais que o desagradam e que geram insegurança para ele.

Manipulações e jogos psicológicos se farão presente utilizando-se como ferramenta principal o medo e culpa para obter o controle comportamental e a dependência emocional da pessoa abusada. 

 

2. TIPOS DE RELACIONAMENTO ABUSIVO

Relacionamentos abusivos podem afetar pessoas independentemente de raça, classe, gênero ou orientação sexual.

1- Os relacionamentos abusivos podem ser tipificados como abuso verbal, quando o companheiro(a) agride verbalmente, diz ao outro o que vestir ou o que fazer e quando busca justificativas constantes de onde e com quem se está; o abuso emocional se caracteriza por atitudes extremamente ciumentas, por proibições de encontros com amigos ou familiares e por acusações constantes, em que o companheiro(a) é culpado por tudo.

2- No abuso físico, são comuns agressões, empurrões, puxões de cabelo e até mesmo situações em que o parceiro(a) pode forçar o outro a fazer sexo, ou impedir que se faça um controle de natalidade.

3- O de ordem financeira se caracteriza, quando o parceiro(a) proíbe o outro de trabalhar, controla o gasto do dinheiro, proíbe o acesso a contas bancárias, não envolve em planejamento financeiro, entre outras ações.

4- O abuso de ordem tecnológica, que se manifesta pelo controle das redes sociais, como, por exemplo, dizer quem se pode adicionar ou não ao perfil, pela insistência em obter senhas pessoais das redes do parceiro(a), monitoramento de celular e outras ações.

 

3. O PERFIL DO ABUSADOR

Geralmente o abusador é alguém que se sente inferior em relação ao companheiro e em vez de procurar desenvolver-se, ataca a autoestima do companheiro para este, “rebaixar-se” ao nível daquele.

O abusador dificilmente encara os seus comportamentos como ações negativas ou passíveis de mudança. Para o abusador, encarar os seus medos, inseguranças, instabilidades emocionais que geram o medo de perder o companheiro é muito difícil. É “mais fácil” para quem abusa, minar a autoestima do parceiro(a) do que construir a sua. 

 

 4. COMO SAIR?

  • Identificar os comportamentos abusivos:

A identificação dos comportamentos abusivos é um ponto inicial para compreender a situação em que se vive. Agora, como caracterizar o que é comportamento abusivo? Caracteriza-se por comportamento abusivo qualquer ação do parceiro(a) que visa cercear a individualidade do outro. 

  • Estar atento aos ciclos comportamentais:

Os ciclos comportamentais são um esquema que mantém a pessoa abusada dentro do relacionamento. Geralmente o ciclo possui este esquema a seguir:

(a) Ações positivas por parte do abusador (comportamento galante, sedutor, conquistador, declarações amorosas, etc.);

(b) Padrões de comportamentos abusivos (olhar os quatro tipos de abusos citados acima);

(c) Os padrões de comportamentos abusivos desgastam a relação e o parceiro(a) que está sofrendo abuso ameaça sair (aqui existem brigas, discussões, pensamentos por parte da pessoa abusada em terminar o relacionamento);

(d) O abusador percebe que o(a) seu parceiro(a) está com a intenção de colocar um fim no relacionamento, sente insegurança e medo por conta disso, e retorna aos comportamentos citados na letra a;

(e) A pessoa abusada percebe uma mudança aparente e decidir dar uma segunda (terceira, quarta, quinta)  chance para o abusador na expectativa de que este irá mudar; 

(f) Retorna-se a letra b e o ciclo se reinicia.

Estar atento a esse ciclo comportamental é importante para a pessoa que está sofrendo consiga discriminar de maneira clara a situação de abuso, dando assim suporte para uma tomada decisão mais consciente no sentido de tentar sair do esquema de abuso.

  • Fortalecer a autoestima:

Como disse anteriormente, o objetivo do abusador é minar a autoestima do seu(sua) parceiro(a) para obter melhor controle sobre este(a). Desta feita, um modo para a pessoa que sofre conseguir sair do esquema de abuso, é trabalhando a sua autoestima, a sua confiança. Recuperando, redescobrindo, reconstruindo o seu eu ou, a priori, tendo a intenção de realizar tais coisas, a vítima conseguirá superar e quebrar o ciclo de abusos.

  • Buscar suporte de outras pessoas:

É importante buscar ajuda de pessoas próximas, de confiança para compartilhar o que está acontecendo, e ouvir uma opinião de alguém de fora da situação para avaliar a situação de uma maneira um pouco mais distanciada. Vale ressaltar que de igual forma é importante buscar a ajuda de um profissional qualificado para lidar com esse tipo de assunto. Por isso, não deixe de procurar a ajuda de um psicólogo.

  • Decidir enfrentar os medos com cautela:

Uma última dica é encarar os seus com cautela, de maneira gradual. Geralmente que está em um esquema de abuso fica no relacionamento por culpa e medo. Então se você encontra-se nesse esquema de abusivo, comece a investigar o que te mantém no esquema. É medo? É culpa? Quais são os medos? Quais são as culpas?

Por isso a ajuda profissional é importa. Nesse momento de encarar os possíveis medos e culpas, o profissional ajudará a criar estratégias para o enfrentamento deles. 

 

5. AÇÃO 

Atenção, pois se você não decidir se posicionar diante de tudo o que você aprendeu e diante de todo mal estar, de nada adiantará. O posicionamento é parte primordial para sair da um relacionamento abusivo. Será fácil? Muitas vezes não! Mas com certeza é necessário. Assuma a posição de decidir, se você se encontra em uma situação assim e isso te faz sofrer, não espere uma intervenção divina, do acaso ou do parceiro(a) para tomar uma atitude. Assuma a responsabilidade e posicione-se!

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